No dia 12 de novembro, a Clínica de Direitos Humanos Luiz Gama conduziu a oficina “Direitos das Pessoas em Situação de Rua”, atividade desenhada pela pesquisadora Laura Salatino com o apoio de estudantes da Clínica. A dinâmica teve como público pessoas em situação de rua vinculadas ao projeto Reviravolta do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, e contou com a participação da Escola Nacional PopRua do Colaboratório Nacional PopRua.
O objetivo da atividade foi apresentar, discutir e refletir sobre o histórico de construção e reivindicação de direitos das pessoas em situação de rua. Para isso, a oficina envolveu a construção de uma linha do tempo com base em notícias de jornais. Foram utilizadas manchetes da Folha de São Paulo, um dos maiores veículos da imprensa nacional, e de edições digitalizadas do jornal popular O Trecheiro, fundado em 1991 para publicar notícias com e para a população em situação de rua. Os materiais foram previamente organizados por estudantes da Clínica, que selecionaram notícias que marcam momentos relevantes da luta por direitos dessa população na cidade de São Paulo. As edições antigas do jornal O Trecheiro puderam ser acessadas em razão do trabalho de digitalização e restauração realizado no projeto Memórias de Rua.
Durante a atividade, os participantes, divididos em grupos, organizaram os recortes jornalísticos ao longo da linha do tempo, relacionando os eventos às gestões municipais e aos contextos históricos. A partir dessa construção, foram convidados a refletir sobre quais episódios marcaram suas trajetórias, que práticas se mantêm até hoje e o que se transformou ao longo dos anos. Ao conectarem suas memórias e vivências aos eventos noticiados, os participantes analisaram conquistas, desafios e permanências.
A programação incluiu também uma contextualização histórica sobre os direitos da população em situação de rua no Brasil, desde o pós-abolição até os dias atuais. A apresentação destacou abordagens marcadamente repressivas — como prisões arbitrárias, arquitetura hostil e ações violentas — e políticas mais centradas no acolhimento e nos direitos sociais. Foram relembradas iniciativas como o Programa De Braços Abertos, o Transcidadania e a criação do Comitê PopRua, bem como episódios marcantes como o Massacre da Sé, que motivou a fundação do Movimento Nacional da População em Situação de Rua.
No encerramento, os participantes foram convidados a imaginar manchetes que gostariam de ver no futuro. As frases foram adicionadas à linha do tempo, agora projetando não apenas a memória do passado, mas também os desejos coletivos para o futuro.
A oficina foi finalizada com a apresentação dessas contribuições e uma reflexão sobre a importância da mobilização social e da participação ativa da população em situação de rua na formulação de políticas públicas.
